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Guia Politicamente Incorreto da Filosofia

SPOILER ALERT: se você odeia toda forma de extremismo e radicalismo, ou simplesmente não tem uma opinião e uma personalidade forte o suficiente para encarar a verdade e abstrair dela o choque que melhor fará com que sua mente desperte, nem se atreva a ler o Guia Politicamente Incorreto da Filosofia.

Quem acompanha a coluna de Luiz Felipe Pondé na Folha de São Paulo, tem uma boa noção sobre as opiniões desse filósofo pernambucano. Igualmente a tem quem já acompanhou alguma de suas participações nos jornais da Rede Cultura. Para você, o livro será nada mais, nada menos, que a reunião de todas as opiniões dadas rotineiramente por Pondé, porém, com um aprofundamento maior.

Guia Politicamente Incorreto da Filosofia

Já você, que não faz a mínima idéia de quem é Luiz Felipe Pondé, ou não consegue imaginar como seria um “Guia Politicamente Incorreto da Filosofia”, vou te contar um pouco sobre as minhas impressões.

O livro é um série de ensaios sobre determinados temas. Pode-se dizer que Pondé é radical sobre quase todas as opiniões, generaliza praticamente todos os exemplos sobre os temas que aborda e mostra uma postura de “dono da verdade” em suas falas. Porém, não se engane: caso ele não firmasse seu ponto de vista de maneira clara e direta, ou usasse frases como “Na minha opinião…” ou “Eu acho que…” na hora de se expressar, o livro jamais poderia ser chamado de “Guia”, muito menos de “Politicamente Incorreto”.

Os temas tratados no livro são temas de discussões cotidianas, rotineiras, que provavelmente você já teve com inúmeras pessoas. Porém, tenho certeza que você nunca teve a cara e a coragem de expor sua real opinião, aquilo que não seria bem visto aos olhos do “mundo sem preconceitos” em que vivemos, essa “sociedade bondosa” onde todos aceitamos diferenças, somos independentes e respeitamos a indenpendência alheia. De qualquer maneira, é exatamente isso que o autor coloca no livro.

Um dos principais aspectos é demarcar o mal do Politicamente Correto, essa praga que faz com que cada vez mais preconceito cresça sob a máscara da aceitação e da “mente aberta”.

A partir desse ponto, irei alterar os adjetivos que usei até agora de forma didática, para um mais adequado. Pondé não é extremista ou radicalista em suas opiniões: ele apenas ironiza a verdade sobre o preconceito velado de tratar alguns assuntos, e não apenas preconceitos, mas aspectos que todos negamos possuir, mas que uma vez expostos, é irracional continuar a negá-los.

Política, feminismo, religião, felicidade e algumas outras coisas são os intrumentos de debate que o autor usa para (tentar) mostrar que há uma preocupação grande demais em ser ou se tornar politicamente correto, e que isso pode, e está, se tornando um caminho de hipocrisia, nos tornando ainda mais preconceituosos, só que com uma diferença: velando isso.

Você vai concordar com a opinião de Luiz Felipe Pondé? Você irá seguir o Guia Politicamente Incorreto da Filosofia como manual de postura diante debates, ou ainda como manual de como e o que pensar sobre os assuntos tratados no livro? Eu espero que não. Discorde concordando, se permita essa contradição, essa pluralidade de ações.

A leitura do livro não é nem um pouco agradável, mesmo pra você, um ser superior que não possui preconceitos e tem a mente aberta. Mas, é justamente fugir do nosso ponto de conforto e por em cheque nossas convicções e medos, as características mais relevantes à leitura do Guia Politicamente Incorreto da Filosofia.

Se mesmo depois de tudo isso você ainda precisar de uma opinião para saber se vale a pena ler ou não o livro, eis a minha: “Se for para ler o livro, discordar do autor ou da minha resenha, achar que tudo não passa de idiotice e argumentar contra, faça um favor para mim, para o autor e para si mesmo: LEIA!”

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